quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O Caçador de Pipas de... Marc Forster! - É bom, mas poderia ser melhor



Hoje vi o filme “O Caçador de Pipas” com minha amiga Lu. A idéia na verdade era ver “Paranoid Park”, mas como o trânsito de São Paulo é um caos... Mas vamos lá.

Em seu blog, Luiz Carlos Merten crítico de cinema do jornal O Estado de SP comenta que a principal questão da obra de Marc Forster é a paternidade. Por este mesmo motivo (e por concordar que esta é a sua questão mesmo) eu relembro que “A Última Ceia” é do Marc Forster, e “Em Busca da Terra do Nunca” também é dele, e “Mais Estranho que a Ficção” também. O que eu quero dizer é que o tema da paternidade está presente em todos eles. A paternidade como o vínculo (de pai para filho, de criador com sua obra) e responsabilidade com a perpetuação de seus valores.

O diretor nestes filmes não tem uma visão unilateral, determinando se a relação pai e filho é somente boa, ou somente má. Mas sim que existe algo maior nessa relação, o que me leva a pensar que, mais do a paternidade, o foco maior são os ciclos da vida. O ciclo morte e vida, construção e desconstrução.

Em “A Última Ceia” o ciclo (e temos a metáfora da cadeia explorada nesse caso) de uma profissão de carcereiro que é passado de pai para filho que precisa ser quebrado, e ironicamente temos o personagem Sonny interpretado pelo ator Heath Ledger se suicidando (por não agüentar este ciclo), mas provocando a libertação de seu pai. Já “Em Busca da Terra do Nunca” temos o ciclo do moralismo da sociedade inglesa, a morte da personagem da Kate Winslet, a relação paternal do escritor (Johnny Depp) com o menino, a relação entre o escritor e sua criação (obra). “Mais Estranho que a Ficção” apresenta mais um ciclo de determinismo com a metáfora (desta vez mais escrachada) de um homem que tem sua vida (que já era regrada ao extremo) determinada por um livro, mas que no final consegue se libertar.

No “Caçador de Pipas” temos todos estes elementos presentes, o ciclo a ser quebrado (ou não) e a relação pai e filho (genética) como em “A Última Ceia”, a relação do escritor com a sua obra, como em “Mais Estrano...” e “Em Busca...” e a morte como uma tragédia que provoca o crescimento e a libertação. Tudo lá, bem amarrado pelo roteiro.

Porém, o filme não conseguiu entrar na categoria das obras primas da minha vida. A história é comovente, as interpretações são ótimas mas... Sabe quando seu tio conta aquela história e tudo vai bem até o final decepcionante? Ou quando a música é perfeita só que tem uma droga de um solo de guitarra que estraga toda a canção e você fica pensando “se não tivesse esse solo...” Pois é, para mim o filme tem esse defeito. O filme poderia ter sido maravilhoso se não apelasse tanto nos recursos técnicos, nos efeitos especiais nas cenas das pipas, na trilha sonora em alguns momentos ou nos ângulos exagerados da fotografia. Em resumo: O filme é bom, mas poderia ser melhor.

PS- Escrevi este post feito um zumbi de sono, mas com uma dose de vodka gelada para acompanhar e Egberto Gismonte no som.

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